domingo, 26 de março de 2017

VOLUNTÁRIA E FELIZ.

Sempre preferi o sabor amargo do café ao suave e floral gosto do tão célebre chazinho. Nunca me habituei a pajama-days e, desde pequena que, ficar em casa mais de 12 horas seguidas se revela um suplício.
Nunca gostei de passar metade do dia a dormir. Quando o faço, para além de ficar com olheiras de urso panda, o mau-humor apodera-se de mim, já que a sensação de desperdício de tempo é mais que muita. Acredito que estou neste mundo por alguma razão e que a minha missão é ser voz-ativa, é lutar. Combater a estranheza sentida pela sociedade quando um indivíduo com deficiência se diz voluntário, por exemplo. O que há de tão estranho no facto de uma pessoa querer fazer o bem? É a ajudar que tornamos a Humanidade melhor!

Há que ser feliz, mostrar cara alegre a cada: "tão querida, é mal empregada"  e, soltar uma gargalhada bem grande porque, afinal, estamos de bem com a vida, não é verdade?
Nunca gostei de olhares penosos nem da palavra "resiliência", sobretudo se esta me for dirigida. E porquê? Porque eu não tive a capacidade de me adaptar a nenhuma adversidade. Eu sempre me conheci assim e, por isso, sempre fui (muito!) feliz com a minha condição. Se tivesse de me definir numa frase diria: " corro feliz sobre rodas". Sinto-me grata por aquilo que sou hoje mas não esqueço que posso melhorar quem sou a cada passo, correndo a vida de um lado ao outro (mesmo que seja sobre rodas)!

domingo, 19 de março de 2017

Úrsula & Eu.


Escrevo sobre esta mesa de madeira, de rosto iluminado pelos leves e amenos raios de sol que nele batem. Procuro na minha imaginação as personagens que parecem estar escondidas por detrás de um muro impossível de atravessar. Fugiram todas porque nenhuma delas tem histórias para contar e, hoje, incumbiram-me de o fazer. Ultimamente tem sido assim, para ser honesta. Não me deixam inventá-las. Não querem que continue as suas histórias e, portanto, eu só posso ser eu.

Mas, afinal, quem sou eu? Uma criatura estranha... alguém a quem uma simples brisa lembra uma rapariga de cabelos cor-de-mar. Se ouvir o canto dos passarinhos, ponho essa miúda a ler e a sua expressão facial passa a estar marcada por uns óculos de massa bem escuros, quase tão escuros como a noite. Foram os únicos que gostou verdadeiramente, segundo o que me contou. A seguir, o meu pensamento pede-me que comece a chamá-la Úrsula. Depois, ela despede-se mim, desvia a mesa de madeira e os  raios de sol leves e amenos fogem. O meu rosto deixa de estar iluminado e eu dou conta de que a minha história se confunde com as das personagens porque, afinal, eu sou a idiota que as inventa quase todos os dias.

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