quarta-feira, 20 de maio de 2015

PRESENÇA\\ Maria Madalena

Por vezes escrevo como se fosse outra pessoa, como se fosse a Maria Madalena. Uma rapariga de vinte e sete anos, branca esquálida, licenciada em Línguas Germânicas.

Hoje ela deixa - vos isto:

"Estava sentada sobre um penedo a admirar a infinita brancura das minhas pernas, loucas e pensativas, que refletiam os raios de sol como se os expulsassem da pele, proibindo - a de se bronzear.
O meu cabelo loiro - quase - branco, mais brilhante do que qualquer diamante à face da Terra, era o único que conseguia reter alguma vitamina D, ficando ainda mais claro.
Cansada de estar lá fora, entrei em casa e fui até à casa de banho... Cheirava a sonasol verde, o meu desinfetante preferido!

Dirigia -me ao lavatório, para ensaboar as mãos, quando um impulso fez com que me virasse  bruscamente para o espelho e reparasse na minha primeira ruga,  Localizava - se exatamente debaixo do meu olho direito e parecia uma cova feita no azul mais profundo dos meus olhos, uma cova no fundo do mar.
Sorri, a velhice nunca foi coisa que me assustasse.

De repente veio - me à cabeça a imagem da Dona Cidália, a velhinha de cento e três anos lá da aldeia que, cheia de pregas na cara, continuava fresca que nem uma alface, com energia capaz de mover um bilião de pessoas. Sorri novamente, algo me disse que eu também iria ter muito tempo de vida nesta Terra, neste planeta de loucos." 
                                  Made with love.
                                                                 Maria Madalena\ Cuca.

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