domingo, 19 de março de 2017
Úrsula & Eu.
Escrevo sobre esta mesa de madeira, de rosto iluminado pelos leves e amenos raios de sol que nele batem. Procuro na minha imaginação as personagens que parecem estar escondidas por detrás de um muro impossível de atravessar. Fugiram todas porque nenhuma delas tem histórias para contar e, hoje, incumbiram-me de o fazer. Ultimamente tem sido assim, para ser honesta. Não me deixam inventá-las. Não querem que continue as suas histórias e, portanto, eu só posso ser eu.
Mas, afinal, quem sou eu? Uma criatura estranha... alguém a quem uma simples brisa lembra uma rapariga de cabelos cor-de-mar. Se ouvir o canto dos passarinhos, ponho essa miúda a ler e a sua expressão facial passa a estar marcada por uns óculos de massa bem escuros, quase tão escuros como a noite. Foram os únicos que gostou verdadeiramente, segundo o que me contou. A seguir, o meu pensamento pede-me que comece a chamá-la Úrsula. Depois, ela despede-se mim, desvia a mesa de madeira e os raios de sol leves e amenos fogem. O meu rosto deixa de estar iluminado e eu dou conta de que a minha história se confunde com as das personagens porque, afinal, eu sou a idiota que as inventa quase todos os dias.
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Que texto tão bonito!!
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